Da redação
Mais de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos enfrentam ou correm risco de desnutrição aguda em Níger até julho, segundo análise recente. Do total, cerca de 410 mil devem apresentar desnutrição aguda severa no período de um ano. Dados indicam também que 306 mil mulheres grávidas e lactantes podem ser afetadas, elevando o risco para mães e recém-nascidos.
Apesar de sinais de melhora em relação ao ano anterior, a gravidade da crise nutricional permanece elevada em diversas regiões do país, como Diffa, os departamentos de Bermo e Tessoua em Maradi e áreas de refugiados em Agadez, Diffa e Maradi, todas classificadas como emergência (Fase 4 da Classificação Integrada da Segurança Alimentar e Nutricional – IPC) entre agosto e novembro de 2025.
A previsão é de alguma melhora entre dezembro de 2025 e abril de 2026, devido à redução dos casos de diarreia e malária e aumento na oferta de alimentos. Durante esse período, algumas áreas devem passar da Fase 4 (emergência) para Fase 3 (crise), e outras para Fase 2 (alerta). No entanto, o início da estação chuvosa e o período de escassez alimentar, de maio a julho de 2026, podem piorar a situação nas regiões afetadas.
A crise é agravada por fatores como baixo consumo e falta de diversidade alimentar, que prejudicam o crescimento infantil, além da prevalência de doenças como malária, infecções respiratórias, febre e diarreia, potencializadas por condições precárias de água, saneamento e higiene.
Práticas alimentares inadequadas, como baixa amamentação e interrupção precoce, somadas à insuficiência dos programas de tratamento da desnutrição e à fragilidade do sistema de saúde, contribuem para o quadro. Inundações, provocadas por chuvas intensas e pelo transbordamento do rio Komadougou e de seus afluentes, bem como a insegurança que resulta em deslocamentos, agravam ainda mais a situação humanitária.






