Da redação
Ao longo de 2025, cerca de 2 mil imigrantes buscaram apoio do Governo do Distrito Federal (GDF) para recomeçar a vida em Brasília, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). A maioria veio da Venezuela, representando 43,4% do total, com 868 pessoas. No mesmo período, a pasta concedeu 676 benefícios a famílias venezuelanas refugiadas.
A crise humanitária na Venezuela se agravou após o ataque dos Estados Unidos e a prisão do ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, aprofundando a instabilidade no país. Em depoimento ao Metrópoles, a venezuelana Maria (nome fictício) relatou que sofria ameaças por não apoiar a ditadura e vivia em condições precárias, com filas para comida e apenas uma refeição diária.
Maria, que migrou para o Brasil em 2023 com suas três filhas, enfrentou violência doméstica e teve o acesso à educação e saúde negado na Venezuela. As filhas só foram vacinadas ao chegar a Pacaraima (RR). Após viver em abrigo por oito meses em Boa Vista (RR) e ser abandonada pelo ex-companheiro, ela conseguiu apoio para se estabelecer no DF.
No DF, Maria foi atendida pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Migrante, onde recebeu auxílio-aluguel, Prato Cheio e suporte psicossocial. Atualmente, ela vive em Itajaí (SC), diz estar recuperada dos traumas e não pretende retornar à Venezuela. “A vida no Brasil é tranquila. Estou bem, graças a Deus”, afirmou.
Segundo Ana Paula Marra, secretária de Desenvolvimento Social, a maioria dos refugiados venezuelanos são homens com baixa escolaridade ou mães-solo fugindo de violência doméstica. Eles migram devido à pobreza e falta de políticas públicas em seu país. O GDF oferece benefícios conforme recursos disponíveis e orienta os migrantes para inserção no mercado de trabalho e acesso a políticas públicas, enfrentando desafios como barreiras linguísticas e xenofobia.






