Da redação
Em abril, a Hungria irá às urnas para decidir o futuro de Viktor Orbán, que está há quinze anos no poder. Durante esse período, Orbán foi apontado como responsável pelo declínio da Hungria em rankings de liberdade política e de imprensa, além de estar envolvido em denúncias de corrupção e abuso de poder. O país, embora seja o segundo maior receptor de verbas da União Europeia, é apresentado por Orbán como alvo de sua retórica nacionalista.
No pleito deste ano, Orbán enfrentará outro conservador, desta vez um ex-aliado: Péter Magyar, do partido Respeito e Liberdade (Tisza). Magyar propõe uma “renovação” conservadora e combate o que classifica como corrupção e autoritarismo do atual governo, defendendo melhores relações com a União Europeia. Ele é ex-marido de Judit Varga, ex-ministra da Justiça envolvida, em 2024, no escândalo de indulto a um condenado por pedofilia.
Com raízes no mesmo grupo político de Orbán, Magyar aparece nas pesquisas independentes liderando as intenções de voto, podendo atrair o eleitorado conservador tradicionalmente aliado ao atual premiê. No entanto, a lisura do processo eleitoral é colocada em dúvida após o governo aprovar, em 2024, uma reforma dos distritos eleitorais que diminui o peso do eleitorado da capital, identificado como menos conservador.
Esperam-se também possíveis formas de pressão judicial. Figuras como Vladimir Putin e Donald Trump observam o pleito com interesse. Em caso de vitória de Magyar, não há expectativa de mudanças radicais, exceto uma possível melhora nas relações com União Europeia e Ucrânia, ou até mesmo um acordo entre os candidatos.
Já em junho, será a vez da Armênia escolher seu destino em eleições vistas como referendo sobre o governo de Nikol Pashinyan e seu partido Contrato Cívico. Pashinyan promoveu reformas internas e elevou indicadores econômicos, sociais, de liberdade de imprensa e combate à corrupção. Mesmo após a derrota militar para o Azerbaijão em 2020, seu partido conquistou mais da metade dos votos no parlamento no ano seguinte.




