Da redação
Jarno Habicht, representante da Organização Mundial da Saúde na Ucrânia, afirmou ao fim de seu mandato que a população do país enfrenta desafios críticos diante da continuidade do conflito. Segundo Habicht, conter a perda de vidas tornou-se uma corrida contra o tempo e o frio, especialmente com a chegada de mais um inverno rigoroso.
O especialista destaca a pressão vivida pelos profissionais de saúde. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 25% dos médicos e enfermeiros ucranianos apresentam sintomas de depressão grave, enquanto 20% enfrentam transtornos de ansiedade, resultado do estresse contínuo causado pelos bombardeios e pela sobrecarga do sistema de saúde.
A rotina de perigo impacta também os civis. Um recente ataque a um centro comercial em Kryvyi Rih deixou 140 feridos, incluindo 23 crianças, e 16 mortos. Habicht afirmou que “as vítimas não estão apenas nos campos de batalha”, ressaltando o papel essencial da resposta médica imediata. Com o agravamento do inverno, a Organização Mundial da Saúde instalou 30 unidades de aquecimento em instalações de saúde e prevê construir outras 22 para proteger a população do frio extremo.
Em áreas isoladas do Oblast de Donetsk, a ajuda humanitária chegou a 51 comunidades com medicamentos essenciais. Nos últimos oito meses, equipes realizaram 13 mil consultas médicas em sete regiões e distribuíram remédios para mais de 28 mil pessoas onde o comércio colapsou. Conforme a organização, ocorreram mais de 3 mil ataques à infraestrutura de saúde, incluindo bombardeios a depósitos em Kyiv e Dnipro que destruíram suprimentos para 225 mil pessoas. Habicht destacou que “a resposta de emergência, a reconstrução e a proteção contra o inverno não podem esperar o fim dos confrontos”.




