Início Brasil Alfabetização e tempo integral perdem dinheiro enquanto governo Lula prioriza Pé-de-Meia

Alfabetização e tempo integral perdem dinheiro enquanto governo Lula prioriza Pé-de-Meia


Da redação

O destaque dado pelo governo Lula (PT) ao programa Pé-de-Meia, que prevê bolsas e poupança para estudantes do ensino médio, levou à redução de investimentos do Ministério da Educação (MEC) em áreas também consideradas prioritárias, como alfabetização e ensino em tempo integral. Em 2025, os gastos com alfabetização caíram 42% em relação a 2024, passando de R$ 791 milhões para R$ 459 milhões, de acordo com dados corrigidos pela inflação.

O fomento ao ensino em tempo integral sofreu redução ainda mais drástica. Os investimentos do MEC para ampliar o tempo integral nas redes de ensino foram de R$ 2,1 bilhões em 2023, aumentaram para R$ 2,5 bilhões em 2024, mas caíram para apenas R$ 75,8 milhões em 2025. A queda decorre de mudanças no uso do Fundeb, principal fundo de financiamento da educação básica, que agora destina parte de seus recursos obrigatoriamente para essa política.

Especialistas criticam o cenário, apontando que a ênfase no Pé-de-Meia compromete programas estruturantes como alfabetização, Educação de Jovens e Adultos (EJA), universidades e o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que já sofreu redução de 12% entre 2024 e 2025. “Há estrangulamento de programas estruturantes e vultosos recursos em iniciativas assistencialistas”, afirma Andressa Pellanda, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O programa Pé-de-Meia, com custo anual de R$ 12 bilhões, visa combater o abandono escolar, mas enfrenta críticas sobre seu impacto real e possível efeito sobre o orçamento do MEC para outras áreas fundamentais. Um estudo liderado pelo professor Guilherme Lichand, da Universidade de Stanford (EUA), alerta que a prioridade ao Pé-de-Meia pode fragilizar o enfrentamento das causas centrais da evasão escolar.

O MEC reconhece desafios orçamentários, mas afirma trabalhar para recompor valores suprimidos durante a tramitação do orçamento no Congresso e garantir os recursos necessários para a educação.