Da redação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um estudo clínico inédito com um medicamento experimental desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para tratar lesões medulares. O anúncio da autorização foi feito em 5 de janeiro de 2026 pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. Este é considerado um avanço importante da ciência brasileira no campo da medicina regenerativa.
O estudo irá envolver cinco voluntários que receberão a substância experimental em condições rigorosamente controladas. O objetivo inicial é avaliar a segurança do medicamento em pacientes com lesão torácica completa da medula espinhal, localizadas entre as vértebras T2 e T10, que tenham indicação de cirurgia nas primeiras 72 horas após o trauma.
Segundo o Ministério da Saúde, o projeto representa um marco histórico na pesquisa clínica nacional. Trata-se de uma terapia inovadora, desenvolvida inteiramente em uma universidade pública, com potencial para tratar uma condição grave e atualmente sem alternativas eficazes. O governo também destaca que a iniciativa reforça o compromisso de integrar pesquisas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar o acesso a tratamentos inovadores no país.
Pesquisadores e órgãos oficiais relataram que quatro pacientes já apresentaram retomada parcial de movimentos após uso experimental da substância, durante protocolos prévios à fase clínica agora iniciada.
O medicamento, chamado polilaminina, é resultado de quase 30 anos de pesquisa liderada pela professora Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Estudos anteriores, realizados em laboratório e em modelos pré-clínicos, indicaram que a proteína favorece a reconexão neuronal, apresentando sinais de recuperação de movimentos em pequenos grupos de pacientes e animais.






