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Na fronteira da guerra: a instabilidade no norte da República Centro-Africana com o conflito no Sudão


Da redação

A cidade de Birao, no extremo norte da República Centro-Africana, tornou-se um importante ponto de acolhimento para refugiados sudaneses desde o início do conflito no Sudão, em abril de 2023. Com infraestrutura limitada e estradas precárias, a região, localizada a menos de duas horas da fronteira com o Sudão, vive um fluxo constante de pessoas e gado atravessando uma divisa sem barreiras físicas.

Desde o agravamento da guerra, dezenas de milhares de refugiados chegaram ao norte centro-africano. Entre eles está Nafeesa (nome fictício por motivos de segurança), que fugiu de uma cidade próxima a Cartum após seu marido ser morto por homens armados em Darfur do Sul. Segundo relatos, muitos enfrentaram situações semelhantes, em um conflito que, em quase três anos, provocou milhões de deslocados e agravou emergências humanitárias.

A fronteira entre os dois países, especialmente em Am Dafock, é desprotegida e permeável, facilitando o trânsito não só de civis, mas também de homens armados. Autoridades locais relataram que milhares de residentes centro-africanos foram forçados a abandonar suas casas em meio a ataques e pilhagens vindos do território sudanês. Para proteger civis, a missão da ONU (Minusca) mantém cerca de 900 capacetes azuis na região desde 2014.

Além da violência, a competição por terras e recursos entre pastores sudaneses e agricultores locais ampliou tensões. Em outubro de 2025, a Minusca facilitou um diálogo comunitário transfronteiriço que resultou em um acordo local para proibir armas, reforçar corredores de transumância de gado e criar mecanismos de resolução de conflitos.

Atualmente, mais de 27 mil refugiados sudaneses vivem em Birao e arredores, superando a população local. Autoridades e agências da ONU optaram por uma abordagem de integração junto às comunidades, mas o aumento da demanda por serviços básicos ocorre em meio a financiamento humanitário insuficiente. O retorno ao Sudão permanece inviável para muitos deslocados, enquanto a situação na República Centro-Africana segue marcada por insegurança e desafios para convivência e proteção civil.