Da redação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra preocupação com a proposta de Conselho de Paz apresentada por Donald Trump, indicando tendência de recusa à participação no grupo. Entre os principais pontos criticados estão a ausência de menção específica ao conflito na Faixa de Gaza e o excesso de poder concentrado nas mãos de Trump nas deliberações do Conselho.
O texto do Conselho garante aos países o direito de sugerir alterações, mas exige aprovação do presidente americano — Trump, por pelo menos três anos — e concede poder de veto diante das decisões dos Estados-membro. Embora a proposta tenha sido anunciada para monitorar conflitos em Gaza, o documento não cita a região, referindo-se apenas a “áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”, sem detalhar o escopo de atuação.
Segundo auxiliares do Palácio do Planalto ouvidos pela Folha, se houvesse referência direta à Faixa de Gaza, o Brasil teria maior estímulo para integrar o grupo. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, já havia manifestado a tendência de recusa ao jornal O Globo. Já no evento em Salvador, nesta sexta-feira (23), Lula criticou a proposta: “O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU e que ele sozinho é o dono da ONU”.
Desde o convite, recebido em 16 de fevereiro, Lula conversou, por telefone, com líderes como Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia), Recep Tayyip Erdogan (Turquia) e Mahmoud Abbas (Autoridade Palestina) para tratar da questão da paz. O objetivo é buscar diferentes perspectivas e não uma resposta conjunta negativa. Segundo a Folha, 70% das nações convidadas por Trump são autocracias ou ditaduras. A resposta brasileira deve ser feita de forma direta, sem preocupação prioritária sobre possível retaliação americana.






