Da redação
A violência no Haiti atingiu novos patamares neste início de ano, segundo relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira (15). A insegurança, antes restrita à capital Porto Príncipe, espalhou-se para as províncias da ilha caribenha, deixando 6,4 milhões de haitianos em necessidade de ajuda e 1,45 milhão deslocados internamente devido à ação de grupos criminosos.
O representante especial da ONU no país, Carlos Ruiz Massieu, afirmou ao Conselho de Segurança que o “tecido social haitiano está sob enorme pressão”. Ele destacou que a interconexão entre insegurança e falta de recursos essenciais alimenta um ciclo vicioso: “Sem melhorias tangíveis na segurança, qualquer avanço político ou social será temporário”. Massieu defende o reforço das tropas nacionais e a atuação coordenada da Força de Supressão de Gangues (GSF) para retomar o controle das áreas dominadas pelo crime.
No início deste mês, uma missão multinacional de 5,5 mil militares, comandada por Jack Christofides, iniciou operações visando conter a violência armada e restabelecer a ordem. Christofides ressaltou que a GSF segue uma estrutura disciplinada, alinhada a padrões internacionais. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, foram contabilizadas 1.343 mortes de suspeitos em confrontos com o crime organizado e a apreensão de grande quantidade de armas.
Entretanto, a ONU registrou preocupações sobre o custo humano dessas ações: pelo menos 158 civis não envolvidos com crimes foram mortos e 108 ficaram feridos. O relatório aponta ainda críticas de organizações internacionais ao uso de empresas militares privadas pelo governo, devido às altas baixas civis. No sistema prisional, a superlotação atinge 312% da capacidade, com mais de 7.550 detentos, incluindo 261 crianças, e apenas 0,34 m² de espaço por pessoa. A ONU alerta que o cenário ilustra o colapso das infraestruturas básicas e um desafio para garantir direitos humanos no Haiti.






