Início Política China aproveita tensões criadas por Trump para cortejar (ainda mais) o Brasil

China aproveita tensões criadas por Trump para cortejar (ainda mais) o Brasil


Da redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na última quinta-feira, 22, durante 45 minutos. Em comunicados oficiais, ambos demonstraram afinidade política e disposição para ampliar a relação bilateral, especialmente em meio à tensão global. Xi Jinping ofereceu ao Brasil novas oportunidades de cooperação econômica, conforme divulgado pela mídia estatal chinesa.

Apesar do estreitamento com a China, o governo Lula busca manter pontes com os Estados Unidos. Técnicos das alas política e econômica do governo garantem que, embora a China siga como principal parceiro comercial do Brasil, a prioridade é captar parcerias e investimentos de diversos países, sem predileções. Os EUA são considerados relevantes para setores de maior valor agregado da indústria nacional, justificando a manutenção de canais de diálogo.

A China tenta, há anos, aumentar sua influência na América Latina por meio de iniciativas como a Nova Rota da Seda, oferecendo parcerias em infraestrutura. O Brasil, entretanto, tem resistido a aderir formalmente à iniciativa para evitar desgastes com Washington, mas mantém as portas abertas para investimentos chineses.

De 2007 a 2024, empresas chinesas investiram no Brasil US$ 77 bilhões em 303 projetos, conforme aponta o professor do Insper, Roberto Dumas. Ele considera correta a estratégia do governo brasileiro de não optar entre China ou EUA, mesmo diante das tensões globais, afirmando que o país deve seguir aberto a parcerias diversas.

Segundo Dumas, após avanços em infraestrutura, agronegócio e indústria, o próximo ciclo de investimentos deve envolver tecnologia da informação, inteligência artificial e bioeconomia. “Todos esses setores são estratégicos, e há espaço para o Brasil atrair investimentos tanto dos chineses quanto dos americanos”, conclui o professor.