Da redação
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, será alvo de um requerimento de convocação na CPMI das Fraudes no INSS. O pedido será apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) nesta semana, após o recesso parlamentar. O objetivo é cobrar esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo BC diante das denúncias de práticas abusivas envolvendo empréstimos consignados para aposentados do INSS.
Segundo Correia, em outubro de 2021, durante a gestão de Campos Neto, o BC foi alertado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) sobre um aumento nas reclamações relacionadas a descontos indevidos e oferta irregular de consignados. O deputado questiona o acesso aos dados sigilosos dos beneficiários e a efetividade da fiscalização feita pelo Banco Central sobre instituições financeiras envolvidas.
O parlamentar também relaciona a investigação ao escândalo envolvendo o banco Master, cuja liquidação pelo BC está sob inspeção do TCU (Tribunal de Contas da União). Correia destaca que fundos de pensão estaduais e municipais aportaram cerca de R$ 2 bilhões no Master e cobra explicações sobre a supervisão do BC em relação ao banco, especialmente sobre possíveis alertas emitidos sobre práticas insustentáveis.
Para Correia, “as ações adotadas por Roberto Campos Neto […] podem ter contribuído para a eclosão e a manutenção da denominada Farra do INSS”. O deputado defende o aprofundamento das investigações para verificar eventuais omissões, falhas de supervisão ou insuficiência de medidas corretivas por parte da autoridade monetária.
Roberto Campos Neto chefiou o Banco Central de 2019 a 2024, indicado por Jair Bolsonaro (PL) e permaneceu no cargo no início do governo Lula (PT). Durante sua gestão, foi alvo de críticas do PT por conta da elevação da taxa Selic, que chegou a 12,25%. Aliados de Campos Neto destacam que, sob Gabriel Galípolo, indicado por Lula, a Selic alcançou 15%.





