Da redação
Mais de um terço da população do Distrito Federal fez algum tipo de aposta nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa “Apostadores no Distrito Federal: diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com a Secretaria de Estado da Família (SEF-DF). O levantamento aponta que 35% dos entrevistados apostaram no período, com maior incidência entre pessoas de renda média-baixa (32,5%) e baixa (28,4%).
As principais modalidades envolvem loteria (26,6%), apostas esportivas (“bets”) (8,4%), bingo (8%), jogos de cassino, incluindo o “tigrinho” (6,5%), e jogo do bicho (4,8%). O perfil dos apostadores é predominantemente masculino (61,9%) e cerca de 5,8% recebem algum benefício social. Faixas etárias variam: o jogo do bicho é mais popular entre idosos (30,7%), enquanto bingo e cassinos online predominam entre adultos de 30 a 49 anos.
A diretora de Estudos e Políticas Sociais do IPEDF, Marcela Machado, alerta que o hábito pode ultrapassar o lazer e comprometer as finanças pessoais e familiares, resultando em ansiedade e depressão. Apenas 12% dizem apostar por diversão, contra 85,5% que buscam retorno financeiro. “As apostas on-line aumentam a frequência e facilitam comportamentos impulsivos, especialmente entre jovens”, destaca.
O secretário de Estado da Família, Rodrigo Delmasso, ressalta o uso de benefícios sociais em apostas, o aumento do endividamento e o uso de jogos ilegais. “A pesquisa foi encaminhada à Polícia Civil do DF para apurar apostas ilegais e ao BRB para coibir uso de cartões de benefícios sociais nesses sites”, afirmou. Delmasso destaca a importância de cursos de educação financeira e o Programa Família Resiliente, já em ação na Rodoviária do Plano Piloto.
Casos como o de Josy dos Santos, de 60 anos, que aposta diariamente no jogo do bicho há décadas, e Carlos Ribeiro, de 49 anos, apostador assíduo de loterias, ilustram diferentes perfis. Josy admite já ter usado dinheiro de contas nas apostas, enquanto Carlos prefere manter o controle e se diz contrário à legalização de jogos ilegais.





