Da redação
A Polícia Federal apura a transferência de R$ 400 milhões da Previdência do Amapá para o Banco Master, realizada entre 2020 e 2021. Segundo o inquérito, um dirigente do órgão foi peça-chave nas decisões que viabilizaram as operações, que agora estão sob suspeita devido ao possível favorecimento de interesses privados e à concentração de recursos em uma única instituição financeira.
De acordo com documentos obtidos pela Polícia Federal, a Previdência do Amapá enfrenta dificuldades estruturais que afetam o pagamento de benefícios a servidores públicos e pensionistas. A destinação de grandes volumes para o Banco Master contrariou padrões do setor, que normalmente priorizam títulos públicos e investimentos de baixo risco.
Como parte da investigação, a PF requisitou contratos, extratos bancários e auditorias internas referentes às operações, além de depoimentos de ex-servidores e gestores. Também estão sendo analisados relatórios de compliance para verificar se o Banco Master atendia aos requisitos de idoneidade e conformidade.
O Banco Master, que nos últimos anos ampliou sua atuação em crédito e gestão de terceiros, está sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central. Apesar dos resultados financeiros positivos, a PF avalia se a instituição respondeu adequadamente às normas de transparência e proteção de capital, especialmente diante do volume atípico recebido.
O inquérito, ainda sob sigilo, pode resultar em indiciamentos por administração fraudulenta, peculato e associação criminosa. Caso haja comprovação de ilícitos, o Ministério Público Federal deve exigir ressarcimento aos cofres públicos e acompanhar eventuais acordos judiciais. A Polícia Federal também pretende propor medidas para reforçar a governança e a segurança nos investimentos da Previdência estadual.




