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Mulheres ucranianas chegam ao limite após quatro anos de guerra


Da redação

Agências humanitárias da ONU alertaram nesta sexta-feira, 17 de dezembro de 2025, sobre o impacto da crise energética na Ucrânia, agravada por ataques russos. A chefe de Ação Humanitária da ONU Mulheres, Sofia Calltorp, destacou o sofrimento das famílias, especialmente das mulheres, que enfrentam o inverno rigoroso sem aquecimento, eletricidade ou abrigo seguro. Em Genebra, Calltorp relatou que a destruição de 65% da capacidade de energia do país elevou a insegurança e a instabilidade econômica.

Segundo Calltorp, os apagões constantes não são apenas desafios técnicos, mas comprometem a proteção e a mobilidade feminina. A falta de iluminação pública e o funcionamento precário dos transportes aumentam o risco de assédio e acidentes para as mulheres, além de restringir suas atividades diárias.

O desemprego também afeta principalmente as ucranianas, muitas das quais trabalham em setores gravemente impactados pelos cortes de energia, como saúde, educação e comércio. Calltorp citou o relato de uma moradora de Kyiv que, sem energia, não consegue garantir educação nem renda para sua família. Desde fevereiro de 2022, mais de 5 mil mulheres e meninas foram confirmadas como mortas, e 14 mil ficaram feridas no conflito, com números possivelmente subnotificados.

Cortes no financiamento internacional ameaçam organizações lideradas por mulheres no país. Sabine Freizer, da ONU Mulheres na Ucrânia, estima perdas de ao menos US$ 53,9 milhões em 2025 e 2026, o que pode afetar 63 mil ucranianas no acesso a serviços de assistência a sobreviventes de violência sexual.

Em paralelo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou mais de 2.870 ataques ao sistema de saúde ucraniano nos últimos quatro anos, resultando em 233 mortes e 937 feridos entre profissionais e pacientes. O porta-voz Christian Lindmeier também chamou atenção para o aumento de quase 390 mil pessoas com deficiência desde o início do conflito.