Da redação
A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a alertar para a gravidade da situação de crianças em situação de rua na África Ocidental, onde mais de 60% das vítimas identificadas de tráfico humano são menores de idade, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc). Muitas destas crianças são forçadas à mendicância, enquanto 34% dos casos se relacionam à exploração sexual.
O Projeto de Apoio à Proteção de Crianças Vítimas de Violações de Direitos (Papev), desenvolvido em parceria entre a ONU e a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, atua na Guiné-Bissau, Gâmbia, Guiné, Mali, Níger e Senegal. O objetivo é fortalecer sistemas nacionais de proteção infantil, melhorar o acesso a serviços de qualidade e criar respostas sustentáveis à violência, tráfico e exploração de crianças.
Desde o lançamento do Papev, mais de 5 mil crianças foram beneficiadas diretamente, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Nos seis países envolvidos, mais de 50 estruturas de apoio foram equipadas, totalizando um investimento de cerca de US$ 200 mil. Aproximadamente 1.500 profissionais dos setores judicial, social e administrativo receberam treinamento para aprimorar o acolhimento e o acesso à justiça de crianças em situação de rua.
O projeto também viabilizou a reintegração familiar: 245 crianças foram reassociadas a suas famílias em Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau e Senegal, com acompanhamento social e profissional. Aminata Kébé, coordenadora regional do Papev, destacou que o ambiente familiar é fundamental para o desenvolvimento infantil e que há um dever coletivo de garantir alternativas seguras quando isso não é possível.
Desde 2022, o Fórum de Banjul tem reforçado a cooperação regional contra o tráfico de crianças. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu união dos países da África Ocidental para garantir a implementação plena da Convenção sobre os Direitos da Criança, diante do que chamou de “momento particularmente difícil para a proteção infantil”.






