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Governo Lula é cobrado por guerra na Ucrânia e diz que tem neutralidade militar, mas não moral


Da redação

O governo brasileiro foi pressionado nesta terça-feira (24), durante audiência do grupo parlamentar Brasil-Ucrânia no Senado, a adotar postura mais clara e dura contra a invasão russa à Ucrânia, que completa quatro anos em 2024. Parlamentares da oposição e representantes da diáspora ucraniana criticaram especialmente as abstenções do Brasil em votações da ONU sobre a guerra. O encontro contou com ampla presença de diplomatas europeus e foi organizado em solidariedade a Kiev.

Em resposta, o embaixador do Brasil na Ucrânia, Rafael de Mello Vidal, afirmou que o país condenou a invasão e mantém neutralidade militar, mas não moral. “No terreno moral adotamos uma postura de condenação da invasão. No terreno militar somos neutros, mas no terreno moral, não”, declarou Vidal.

Os senadores Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Flávio Arns (PSB-PR), Sergio Moro (União-PR) e Jorge Seif (PL-SC) classificaram como “vergonhosas” as abstenções do Brasil em decisões da ONU, como a resolução de apoio à paz na Ucrânia e outra que pedia o retorno de crianças ucranianas deportadas para a Rússia. Damares afirmou: “A decisão de um governo nem sempre é a decisão de uma nação. O Brasil ama a Ucrânia”.

Durante a audiência, representantes ucranianos ressaltaram que buscar a paz “não pode significar recompensa ao agressor”. O embaixador brasileiro destacou que o país defende solução diplomática, respeito ao direito internacional e integridade territorial da Ucrânia, e que há expectativa de avanços em negociações de paz ainda no primeiro semestre de 2024.

Por fim, Vidal mencionou que o Mercosul, por meio de Brasil e Argentina, discute envio de geradores à Ucrânia como iniciativa humanitária. Segundo ele, o chanceler Mauro Vieira deve visitar Kiev nos próximos meses para reforçar o diálogo diplomático.