Da redação
Especialistas em geopolítica ouvidos pela Agência Brasil neste domingo (1º) afirmam que a segunda ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em oito meses, tem como objetivo pressionar por uma troca de regime em Teerã e conter a expansão econômica da China – vista como ameaça por Washington – além de fortalecer a hegemonia de Israel no Oriente Médio. Analistas questionam a justificativa oficial de que o ataque seria “preventivo” diante de supostas ambições nucleares iranianas.
A professora Rashmi Singh, da PUC Minas, destacou que enviados de Trump ao Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner, foram desmentidos pelo chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi. Enquanto os americanos alegavam que não havia avanços, Albusaidi afirmou, um dia antes dos ataques, que o Irã já aceitara não manter estoque de urânio enriquecido, essencial para fabricar armas nucleares.
Para Singh, a guerra visa instalar um governo aliado de Washington em Teerã e eliminar obstáculos à hegemonia de Israel. Ela lembrou ainda que o premiê Benjamin Netanyahu enfrenta eleições e pode usar o conflito para se fortalecer politicamente, como já ocorrera em ações contra o Hamas em Gaza.
O professor Robson Valdez, do IDP, reforçou que os ataques vão além da questão nuclear, focando na disputa pelo poder regional e no impacto sobre a China, maior importadora do petróleo iraniano. Segundo ele, a guerra atinge interesses que envolvem Israel, Turquia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Ali Ramos, cientista político, e Rodolfo Queiroz Laterza, historiador, destacam o papel estratégico do Irã na rota econômica da China e da Rússia e apontam que a guerra contra Teerã, quinto maior produtor mundial de petróleo, está inserida na disputa comercial global entre EUA e China. Já Mohammed Nadir, da UFABC, afirma que o real objetivo é suprimir qualquer potência regional no Oriente Médio e consolidar a primazia de Israel, comparando a retórica atual à usada por Washington na invasão do Iraque, em 2003.






