Da redação
Nesta quarta-feira (4), a ONU fez um apelo urgente pela proteção de civis diante dos ataques aéreos israelenses e norte-americanos contra o Irã e da intensificação da violência no Oriente Médio. A porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, destacou o agravamento do deslocamento de pessoas na região e lembrou o ataque do último sábado (1º) a uma escola primária em Minab, no sul do Irã, que teria matado e ferido dezenas de meninas.
Segundo Shamdasani, as imagens de mochilas cobertas de sangue “capturam a essência da destruição, do desespero, da insensatez e da crueldade deste conflito”. Ela afirmou que o chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, ficou “profundamente chocado” e pediu uma investigação rápida, imparcial e completa, com a responsabilização dos autores e reparação às vítimas.
Shamdasani salientou que, caso fique comprovado que ataques miraram civis ou bens civis, ou tenham sido indiscriminados, podem ser considerados crimes de guerra conforme o direito internacional humanitário. Ela expressou preocupação pelo bem-estar dos iranianos diante do histórico de repressão a opositores do regime e do bloqueio nacional da internet.
Já no Líbano, o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), Babar Baloch, relatou deslocamentos significativos em razão da entrada de tropas israelenses no sul do país após ataques do Hezbollah. Israel emitiu alertas de evacuação para moradores de mais de 53 aldeias e intensificou ataques aéreos. Estima-se que quase 30 mil pessoas estejam abrigadas coletivamente.
A violência afeta as rotas de abastecimento humanitário. O diretor do Programa Mundial de Alimentos para a região, Samer Abdel Jaber, alertou para os impactos das interrupções no Estreito de Ormuz e Mar Vermelho, que complicam e encarecem as operações. Como alternativa, sugeriu o uso de fornecedores de países como Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão.






