Da redação
Centenas de deslocados libaneses estão abrigados no saguão de uma escola após fugirem dos recentes bombardeios israelenses sobre subúrbios ao sul de Beirute, região considerada um reduto do Hezbollah. Entre eles, está Zainab Mokdad, de 50 anos, que relata sua indignação: “É um pesadelo. Você está em casa, segura, e de repente precisa fugir.” Ela conta que estava preparando a refeição antes do amanhecer, durante o mês do Ramadã, quando os ataques começaram, obrigando sua família a passar a noite ao relento antes de encontrarem abrigo ao norte da capital.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, alertou sobre um “desastre humanitário” devido ao deslocamento em massa da população do subúrbio sul, onde vivem de 600 mil a 800 mil pessoas. Salam afirmou ainda que os deslocados são “vítimas da guerra israelense contra o Líbano, mas também daqueles que forneceram um pretexto para a agressão israelense”, criticando o Hezbollah.
O conflito se intensificou após ataques do grupo xiita libanês contra Israel para “vingar” a morte do líder supremo iraniano, levando a represálias em massa de Israel. Durante conflitos anteriores, em 2024, o Hezbollah auxiliou deslocados com abrigos e ajuda financeira, mas, atualmente, enfrenta dificuldades financeiras e muitos sentem-se abandonados. O tradicional apoio popular ao grupo, embora defendido longe das câmeras, já não parece tão sólido.
“Quanto tempo mais vai durar nosso sofrimento? Qual é o objetivo desta guerra? Para chegar a quê? Nada disso faz sentido”, questiona Hiam, de 53 anos, enquanto outras mulheres relatam o drama de fugir novamente de cidades próximas à fronteira com Israel. Lubna Saad, de 42 anos, lembra: “Achei que tínhamos voltado para casa e que tudo tinha acabado”.
Apesar do cessar-fogo firmado em novembro de 2024, ataques continuam nas zonas fronteiriças. “Ninguém está seguro, ninguém consegue cultivar suas terras nem viver com normalidade”, afirma Mohamad Ali Taqi, de 50 anos, ecoando o sentimento de abandono.







