Da redação
Cerca de 41 milhões de colombianos irão às urnas no próximo domingo, 31 de maio, para escolher o presidente do país para o mandato de 2026 a 2030. A eleição ocorre em meio à expectativa sobre o futuro alinhamento da Colômbia, com possibilidades de reforço à política dos Estados Unidos ou continuidade do bloco do atual presidente Gustavo Petro.
O pleito marca a ausência de Petro, primeiro presidente de esquerda do país, devido à proibição legal de reeleição. O voto não é obrigatório. Segundo pesquisas recentes, os principais concorrentes são o senador de esquerda Ivan Cepeda, a senadora de direita Paloma Valencia e o advogado Abelardo de La Espriella, identificado como outsider e admirador de lideranças conservadoras internacionais.
Ivan Cepeda lidera as intenções de voto e representa a continuidade do atual governo. Senador desde 2014, Cepeda é filho de Manuel Cepeda Vargas, senador assassinado em 1994, e esteve exilado de 1998 a 2004 por ameaças relacionadas à sua defesa dos direitos humanos. Ele apresenta como vice a indígena Aida Quilcue e foi um dos articuladores do acordo de paz com as Farc.
Durante sua carreira, Cepeda denunciou o ex-presidente Álvaro Uribe, ícone da direita colombiana, pelo caso dos “falsos positivos”, envolvendo a morte de milhares de civis entre 2002 e 2008. Uribe chegou a ser condenado em primeira instância, mas foi absolvido em segunda instância em outubro de 2025. Cepeda também herdou a popularidade de Petro, cuja aprovação chegou a 49,1% em fevereiro deste ano.
Abelardo de La Espriella, adversário de Cepeda, é advogado e se apresenta como candidato da extrema-direita, tendo defendido figuras como Alex Saab e Jorge Visbal. Paloma Valencia, do Centro Democrático, é aliada de Uribe e crítica dos acordos de paz. As pesquisas indicam cenários imprevisíveis para o segundo turno, sugerindo competição acirrada.
A eleição ocorre em contexto de violência persistente, mesmo após tentativas de negociação, como a proposta de “Paz Total” de Petro. Em fevereiro de 2025, cerca de 52 mil pessoas foram expulsas de suas casas, e um confronto próximo à votação resultou em 52 mortos. Analistas apontam divergências entre candidatos sobre a abordagem dos conflitos armados, indo da repressão ao diálogo.





