Início Mundo Resistência do Irã a ataques dos EUA surpreende, avalia pesquisadora; veja entrevista

Resistência do Irã a ataques dos EUA surpreende, avalia pesquisadora; veja entrevista

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Da redação

Uma semana após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, Fernanda Medeiros, professora de relações internacionais do Ceub, destaca a resiliência militar iraniana diante do poderio americano. Segundo ela, “a resistência do Irã ante aos ataques surpreende”, ressaltando que “mesmo a nação mais poderosa do mundo não consegue tudo que quer”.

No sábado (28), uma ofensiva conjunta dos EUA e Israel matou o líder supremo Ali Khamenei, que estava há 37 anos no poder, em Teerã. O ataque foi resposta a semanas de tensão decorrentes do fracasso nas negociações do acordo nuclear, com Washington exigindo que o Irã encerrasse imediatamente seu programa nuclear sob ameaça de novas ofensivas.

A ação marca uma virada na política externa de Donald Trump, que abandonou o discurso anti-guerra do primeiro mandato e adotou postura intervencionista após a operação que destituiu Nicolás Maduro na Venezuela. China e Rússia, parceiros comerciais recentes do Irã, condenaram o ataque, mas, de acordo com Medeiros, dificilmente atuarão diretamente neste momento.

Com a morte de Khamenei, o Irã vive um vácuo de poder. Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, é apontado como possível sucessor, ainda que haja sigilo para impedir novos ataques. Trump defende participação na escolha do novo comando iraniano, mas Medeiros avalia que a estrutura política do Irã tornará a interferência americana menos efetiva.

A comunidade internacional se divide entre o apelo à calma e restrições logísticas à ação dos EUA. O Brasil, solicitado como mediador pelos Emirados Árabes, tenta intermediar o diálogo, mas enfrenta preocupações com impactos econômicos internos, como alta do petróleo. Para Medeiros, o país tem condições de mitigar efeitos da crise com planejamento.