Da redação
Ao abrir o ano Judiciário, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, buscou um tom moralizador para enfrentar críticas sobre excessos cometidos pelo Supremo, especialmente após o julgamento que levou à prisão envolvidos na tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Fachin reconheceu a necessidade de medidas para reduzir a “tensão institucional” e discutir papel e limites do Judiciário.
No entanto, o cenário se agravou após a divulgação das ligações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do banco Master. A revelação fez Toffoli deixar a relatoria do caso Master, assumida por André Mendonça. As iniciativas de transparência e códigos de conduta não têm sido suficientes para estancar a crise de credibilidade do STF.
Pesquisa da Quaest divulgada nesta semana aponta queda de 7 pontos percentuais na confiança da população no Supremo desde agosto de 2023, caindo de 50% para 43%. Por outro lado, a desconfiança subiu de 47% para 49%. O levantamento revelou ainda que 72% dos entrevistados avaliam que o STF tem poder excessivo, enquanto 66% acham importante eleger senadores favoráveis ao impeachment de ministros, bandeira comum entre apoiadores de Bolsonaro.
A pesquisa também mostrou que 59% relacionam o STF ao governo Lula, e 51% consideram a corte importante para a democracia. A crise de imagem do Supremo ganhou peso em meio à polarização política entre Lula e Bolsonaro, especialmente após o ex-presidente ser preso por decisão do STF.
Nas redes sociais, o ministro Flávio Dino defendeu o Supremo, dizendo que “o STF acerta muito mais do que erra”. Dino pediu “serenidade, moderação e prudência” diante das críticas e das distorções no debate público.







