Da redação
A cafeicultura do Distrito Federal, que em 2023 ocupou cerca de 420 hectares, ainda enfrenta desafios para se consolidar como atividade econômica capaz de gerar renda aos produtores. Segundo o Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Café no DF, realizado pela Emater/DF em parceria com a Embrapa Café, 82% dos 134 cafeicultores ouvidos entre outubro de 2024 e março de 2025 não obtêm renda da cultura, reflexo de uma atividade recente ou complementar. O levantamento revela ainda que 59% não fazem gestão de custos e 92% não acessam crédito rural, restringindo o potencial de comercialização — 63% dos produtores não vendem sua produção.
Apesar dos gargalos, o estudo aponta elevado potencial para a produção de cafés especiais no DF, favorecido por altitudes entre 800 e 1.200 metros, clima seco durante a colheita e ampla adoção de irrigação; 87% dos produtores utilizam sistemas de irrigação e 55% realizam análise de solo. A maioria dos cafeicultores são pequenos: cerca de 83% têm até 1 hectare de área plantada. “Os resultados em termos de qualidade são muito positivos”, destacou Adriana Nascimento, coordenadora de Operações da Emater-DF.
A análise aponta necessidade de organização da cadeia produtiva, capacitação técnica e adoção de metodologias para garantir eficiência e repetibilidade nos resultados. Segundo Renata Silva, chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, 69% dos produtores nunca participaram de capacitação específica, o que impacta a produtividade: 31 produtores colhem menos de 1 saca por hectare, enquanto apenas 10 superam 20 sacas. “Capacitação e gestão são decisivas para transformar pequenas áreas em lavouras produtivas e rentáveis”, ressalta Renata.
Para enfrentar as deficiências, a Secretaria de Agricultura destaca ações como criação da Câmara Setorial da Cafeicultura, capacitação técnica e programas de treinamento para extensionistas, além de estudo para obtenção de Indicação Geográfica do café do DF. Outra iniciativa é o 1º Prêmio de Qualidade de Cafés do Cerrado Central, promovendo o produto local.
A participação feminina é expressiva: mulheres estão presentes em 75% das áreas de cultivo, sendo responsáveis diretas por 57% das propriedades. Exemplo disso são as cafeicultoras Roberta Sara Matos, que cultiva menos de 1 hectare em Brazlândia, e Núcia Cenci, com plantação de 45 hectares, reafirmando o protagonismo feminino na cafeicultura do DF.





