Da redação
Ao organizar seu acervo de pesquisas acumulado desde 1978, a professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mirian, fez uma descoberta inusitada: encontrou um romance erótico de 192 páginas que escreveu em 1999 e havia esquecido em um antigo disquete.
A obra tem como protagonista uma mulher de 40 anos, feminista que, apesar de sua independência econômica e sucesso profissional, se vê submissa a um engenheiro, colocando sua autoestima e felicidade completamente dependentes do parceiro. Segundo a autora, a personagem enfrenta o peso do envelhecimento em uma sociedade que supervaloriza a juventude feminina, sofrimento também reconhecido pela própria Mirian.
Na época em que escreveu o romance, Mirian era a professora mais jovem do departamento na UFRJ, onde ingressou em 1994 como bolsista de pós-doutorado e, em 1997, passou a lecionar Métodos e Técnicas em Pesquisa Qualitativa. Até então, já havia publicado livros como “A Outra: um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado” e “A Revolução das Mulheres: Um Balanço do Feminismo no Brasil”.
Apesar do interesse de sua editora, Mirian optou por não publicar o romance erótico naquele momento. “Não me arrependo. Tenho a certeza de que a minha decisão de não publicar o livro foi a mais adequada naquela altura do campeonato”, afirmou.
A recente redescoberta do manuscrito levantou novas questões para autora e seu marido, que tem se divertido com a leitura. Mirian questiona: “Por que as mulheres sofrem tanto com os próprios preconceitos, estigmas e pânico de envelhecer?” e se desafia a decidir se, finalmente, publicará o romance.





