Início Eleições Evangélico de verdade não vota na esquerda? Pastores divergem aqui

Evangélico de verdade não vota na esquerda? Pastores divergem aqui


Da redação

O ex-deputado Eduardo Cunha afirmou durante o programa Frente a Frente, da Folha e do UOL, que o campo progressista está fadado ao fracasso ao buscar votos entre evangélicos, pois, segundo ele, “quem for evangélico e votar na esquerda não é evangélico de verdade”. A ideia encontra amplo apoio entre líderes religiosos influentes, que consideram praticamente irrecuperável a distância entre igrejas evangélicas e partidos de esquerda.

Pastores como Renato Cardoso, da Igreja Universal do Reino de Deus, reforçaram esse discurso. Em 2022, Cardoso publicou argumentos defendendo que é incompatível ser cristão e de esquerda. Em contraste, em 2010, a Universal recomendava o voto em Dilma Rousseff. Hoje, o bispo condena a defesa de pautas progressistas como casamento não convencional e uso de drogas.

Apesar disso, a noção de que votar na esquerda desqualifica um fiel como evangélico não é consenso. Silas Malafaia afirma que o voto à esquerda é minoria entre evangélicos devido à falta de conhecimento, mas reconhece que há crentes sinceros entre eles. Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, estima que apenas 20% dos evangélicos votam na esquerda por causa de pautas consideradas antagônicas ao cristianismo.

Dados de institutos de pesquisa apontam que 3 em cada 10 evangélicos escolheram Lula em 2022, grupo composto majoritariamente por pessoas pobres, negras e mulheres. Alguns líderes, como Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, defendem que motivos financeiros levam fiéis a apoiar o PT e que isso não questiona sua fé. O deputado Otoni de Paula argumenta que esses eleitores não são esquerdistas, mas sim lulistas, por gratidão aos programas sociais.

Já nomes como Teo Hayashi e Estevam Hernandes admitem a presença de fiéis de esquerda em suas igrejas e rejeitam a exclusão com base em posicionamentos políticos. Para Hernandes, as escolhas políticas não determinam a autenticidade da fé cristã.