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Irã e EUA iniciam conversas de paz em meio a clima de tensão e suspeitas


Da redação

Irã e Estados Unidos iniciaram neste sábado (11), em Islamabad, no Paquistão, negociações de paz após seis semanas de conflito. As delegações chegam ao encontro com desconfiança e posições ainda distantes sobre como encerrar a crise. O vice-presidente americano, JD Vance, lidera a equipe dos EUA, que inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Já a delegação iraniana, com mais de 70 integrantes, é chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, atua como mediador e reafirmou a intenção de “avançar rumo a uma paz sustentável na região”. Apesar de uma trégua anunciada na terça-feira, o histórico de confrontos — que resultou em centenas de bombardeios dos EUA e Israel no Irã e a morte do líder supremo Ali Khamenei — aumenta a desconfiança. Teerã retaliou atacando Israel e monarquias árabes do Golfo.

Ghalibaf declarou à televisão iraniana que o Irã “entra nas negociações com total desconfiança devido às repetidas violações de compromissos e traições por parte dos Estados Unidos”. O vice-presidente Vance afirmou em Washington: “Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, nós, certamente, estaremos dispostos a estender a mão. Se tentarem brincar conosco, verão que a equipe de negociação não será tão receptiva”.

Entre as exigências do Irã, estão a ampliação da trégua ao Líbano, onde o Hezbollah enfrenta Israel, e o descongelamento de bens iranianos. Os EUA, por sua vez, exigem a reabertura total do Estreito de Ormuz e garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares — ponto considerado “99%” da negociação por Trump. Teerã insiste que seu programa nuclear tem fins civis.

Enquanto as negociações ocorrem, Israel mantém ofensiva no Líbano contra o Hezbollah, que rejeitou participar de diálogos com Israel, mesmo após o anúncio de negociações diretas entre governos em Washington. Os confrontos já deixaram mais de 1.950 mortos no Líbano em semanas de hostilidades.