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Hamburgueria promete salário extra para jovem de 17 anos trabalhar com roupa decotada


Da redação

Uma adolescente de 17 anos denunciou uma hamburgueria em Ribeirão Preto (SP) por proposta de uso de roupas justas para atrair clientes durante processo seletivo de emprego. Segundo prints divulgados pela jovem, a oferta salarial era de R$ 1.300, com adicional de R$ 400 caso aceitasse trabalhar de “decote” ou “calça legging mais marcando”.

A denúncia foi formalizada em boletim de ocorrência por importunação sexual na Polícia Civil e o caso também está sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Em entrevista à EPTV, afiliada da Globo, a adolescente relatou abalo emocional diante da situação. Após o episódio, a lanchonete foi fechada.

Uma ex-funcionária, ouvida pela Folha de S.Paulo sob anonimato, confirmou ter recebido proposta semelhante e afirmou que não recebeu pagamento referente a duas semanas de trabalho. Ela declarou ter aceitado o emprego pela localização e necessidade de sustentar o filho pequeno. Segundo ela, havia problemas constantes no ambiente de trabalho, falta de energia e comunicação difícil com o proprietário; a contratação era informal, no modelo freelancer.

Em nota, os responsáveis pela hamburgueria lamentaram o ocorrido, pediram desculpas às mulheres e informaram que o funcionário responsável pelas mensagens foi demitido. Alegaram que o critério de vestimenta foi copiado de outros estabelecimentos. Sobre salários atrasados, disseram que todos os pagamentos foram ou serão quitados após o fechamento.

A repercussão levou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) a pedir, no domingo (12), a cassação do alvará da hamburgueria, com base em lei municipal que prevê perda da licença em casos de ofensa grave aos “bons costumes”. O Ministério Público do Trabalho segue apurando o caso.