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Paralisação na USP: estudantes decidem interromper aulas e se unem à manifestação dos servidores


Da redação

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo (USP) aprovou nesta quarta-feira, 15, a adesão à greve geral das atividades estudantis. A decisão ocorreu em assembleia realizada no vão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista. A paralisação segue movimento iniciado pelos servidores da universidade, que cruzaram os braços na terça-feira, 14, após a criação de um bônus destinado exclusivamente aos professores.

Entre as reivindicações dos estudantes estão melhorias no restaurante universitário (bandejão), vestibular específico para indígenas, cotas para pessoas trans e demandas específicas de cada unidade. A Reitoria da USP informou que investirá cerca de R$ 461 milhões no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), beneficiando quase 16 mil alunos, e, sobre o bandejão, declarou que a qualidade do serviço é analisada por nutricionistas e que empresas terceirizadas já foram advertidas.

A greve dos estudantes recebeu apoio do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). “Estudantes e trabalhadores somos o coração pulsante da USP e vamos lutar juntos por uma universidade mais igualitária a serviço dos trabalhadores e do povo pobre”, afirmou o Sintusp em rede social. Agora, cada centro acadêmico irá deliberar sobre a adesão ao movimento. A paralisação já foi aprovada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Design e pelo Conselho das Entidades da USP Leste (EACH).

A mobilização dos servidores começou após a implementação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas, aprovada em março, que prevê bônus de até R$ 4.500 mensais a professores que apresentarem projetos. O benefício, restrito a docentes em dedicação exclusiva, deve custar R$ 238 milhões ao ano. O Sintusp critica a medida por ferir a isonomia e propõe divisão do valor para reajustar salários dos funcionários.

Segundo dados de 2024, a USP possui mais de 5.300 professores e cerca de 12.600 funcionários técnico-administrativos. Até a publicação desta reportagem, a Reitoria não havia se pronunciado oficialmente sobre as greves.