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Quase metade das famílias do DF enfrenta dificuldades para pagar dívidas, revela levantamento da CNC

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Da redação

Quase metade das famílias do Distrito Federal enfrenta dificuldades para pagar suas contas em dia. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgada pela Fecomércio-DF, 47,1% dos lares estão inadimplentes, número bem acima da média nacional, de 29,6%. Ao todo, 841.657 famílias do DF estão endividadas e 497.433 têm contas em atraso.

A professora Larissa Rocha exemplifica esse cenário: mesmo com renda estável, ela recorre ao salário do mês seguinte para cobrir despesas atuais. “Meu salário, hoje, serve só para pagar contas”, relata. Casos assim não são exceção. O perfil do superendividado, segundo a Defensoria Pública do DF (DPDF), são mulheres entre 30 e 50 anos, com renda acima de R$ 5 mil e, muitas vezes, servidoras públicas — grupo atraído por ofertas de crédito consignado e limites elevados no cartão.

O cartão de crédito predomina como principal origem das dívidas: corresponde a 86,9% dos casos no DF, saltando para 92% entre famílias com até 10 salários mínimos. O economista Newton Marques destaca que o pagamento apenas do valor mínimo da fatura alimenta o ciclo de endividamento: “A dívida vira uma bola de neve”.

A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) possibilita renegociação de dívidas, mas o valor protegido como “mínimo existencial” — cerca de R$ 600 — é considerado insuficiente por especialistas, diante de custos de habitação, transporte e alimentação.

O impacto do endividamento transborda para a saúde mental, gerando ansiedade, insônia e queda de autoestima. A busca por ajuda é crescente: só em 2025 foram registrados 2.796 atendimentos na DPDF por superendividamento, e 871 nos primeiros meses de 2026. Para especialistas, o combate ao problema passa por educação financeira, regulamentação do crédito e consumo consciente.