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Celina Leão critica falta de vontade federal em ajudar o BRB

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Da redação do Conectado ao Poder

Governadora do DF afirma que buscou agenda e ajuda do Executivo para tratar da crise do Banco de Brasília, sem retorno até agora

Celina Leão, governadora do Distrito Federal, afirmou na quarta-feira, 15 de abril de 2026, em Brasília, que pediu ajuda ao governo federal para tratar da situação do Banco de Brasília (BRB), mas disse que ainda não recebeu retorno. A declaração foi dada a jornalistas ao sair de um evento do Lide, quando ela criticou a falta de disposição do Executivo federal em avançar com agendas sobre o tema.

Segundo Celina, a tentativa de diálogo incluiu solicitações formais de reuniões. “Acho que não tem a boa vontade de fazer. Já pedimos, pedimos inclusive agendas”, afirmou. Em seguida, ela acrescentou: “É bem claro que não quer fazer nenhuma movimentação, o que eu acho triste. Você tem que ter certa institucionalidade quando é presidente da República, quando é governadora”.

A governadora disse que, apesar de se definir como uma governadora de direita, mantém a disposição de conversar quando o assunto envolve Brasília. Ela afirmou que esperava postura semelhante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas relatou que isso não ocorreu até o momento.

Celina também mencionou que o governo federal teria prestado assistência, na mesma semana, a outra instituição financeira em dificuldade, o Digimais, ao comentar o contraste com a ausência de resposta sobre o BRB.

Sobre alternativas de apoio ao banco, a governadora informou que não havia novidades, até aquela data, sobre um possível empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ela disse ainda que o BRB tem diferentes caminhos para reduzir o risco de insolvência e aliviar a pressão sobre sua estrutura de capital, sem detalhar medidas por envolver negociações e regras de sigilo bancário.

“Quando a gente fala de um banco, de movimentação financeira, você precisa preservar, inclusive, negociações que estão sendo feitas (…) Mas o banco tem várias formas de sair desse momento e irá sair”, declarou. Ela afirmou que a condução do tema inclui medidas de governança e auditorias em andamento, e que parte das informações não pode ser divulgada por causa da sensibilidade do mercado às notícias sobre instituições financeiras.

Celina afirmou que a auditoria realizada no banco foi encaminhada a órgãos de controle, incluindo Polícia Federal, Ministério Público e Procuradoria-Geral da República. Segundo ela, questões cíveis relacionadas aos fluxos financeiros do BRB devem tramitar em primeira instância, enquanto causas criminais serão remetidas ao Supremo Tribunal Federal. “O que não tinha a ver com a questão criminal, o próprio Supremo já colocou na decisão que isso vai ser tratado em primeira instância”, disse.

Ao comentar o debate em torno do BRB, a governadora afirmou que é necessário separar o que diz respeito ao Banco Master do que envolve o BRB nas apurações federais sobre operações no mercado financeiro. “É bom e necessário que se faça uma separação do que é Master e do que é BRB. O BRB é um banco sólido, tem uma história em Brasília. A nossa missão, neste momento, é cuidar para que ele continue com a missão de ser um banco de desenvolvimento regional”, afirmou.

As declarações foram dadas em meio ao avanço de apurações sobre operações estruturadas no mercado financeiro envolvendo o Banco Master, que passaram a ser questionadas por órgãos de controle e por investigações em curso. Por ser controlado pelo governo do Distrito Federal, o BRB permanece no centro do debate político, ampliando a repercussão do caso e a pressão por posicionamentos de autoridades locais.

Celina também disse que a gestão local busca reforçar medidas para coibir desvios. Ela afirmou que um dos objetivos do governo é “cortar qualquer tipo de desvio ou corrupção que possa ter existido ou que existiu em algum momento” e mencionou mudanças na equipe, com a nomeação de quadros técnicos para lidar com o cenário.