Da redação
O diretor-executivo do Escritório da ONU de Serviços para Projetos (Unops), Jorge Moreira da Silva, alertou nesta semana que interrupções no tráfego do Estreito de Ormuz podem desencadear uma crise humanitária de grandes proporções. Em comunicado nas redes sociais, ele destacou o risco iminente de uma crise global de fertilizantes, que ameaça principalmente países em desenvolvimento na África e na Ásia. Segundo o Unops, a escassez mundial de fertilizantes já é uma realidade iminente, exigindo respostas urgentes para proteger as populações mais vulneráveis.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reforçou que a retenção de insumos essenciais à produção de fertilizantes no Golfo pode gerar um efeito cascata sobre agricultores em todo o mundo. O Estreito de Ormuz é responsável pelo escoamento de quase um terço dos fertilizantes globais. A FAO prevê forte alta nos preços dos alimentos e crise econômica nas próximas semanas caso não haja uma solução rápida para o impasse na região.
A urgência do quadro levou a Assembleia Geral da ONU a convocar reunião após um impasse no Conselho de Segurança na semana passada. O projeto de resolução apresentado pelo Bahrein, que previa escoltas a embarcações comerciais e exigia do Irã o fim imediato de ataques e bloqueios, recebeu 11 votos favoráveis, abstenções da Colômbia e do Paquistão e veto da China e da Rússia.
Paralelamente, a crise humanitária no Líbano e na Síria se agrava. Segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), mais de 2 mil pessoas morreram e 1,2 milhão se deslocaram no Líbano desde março. Destes, mais de 280 mil cruzaram para a Síria, incluindo aproximadamente 238 mil sírios e 44 mil libaneses.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o colapso do sistema de saúde no Líbano devido a bombardeios contínuos, apesar das proteções do direito internacional. Hanan Balkhy, alta funcionária da OMS, condenou a morte de quatro socorristas em Mayfadoun. O Hospital Governamental de Tebnin, no sul do país, sofreu danos graves após ataque aéreo na última terça-feira.






