Da redação
Na semana em que aumentou a tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Legislativo, a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso apresentou sinais de melhoria. O destaque foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que iniciou a tramitação da indicação de Jorge Messias ao STF e marcou a sabatina do indicado para 28 de maio, após mais de quatro meses de espera.
O gesto de Alcolumbre foi acompanhado de uma concessão à oposição bolsonarista: no mesmo dia, ele marcou para 30 de abril a sessão do Congresso que decidirá sobre o veto à redução de penas dos condenados pela tentativa de golpe — com tendência de derrubada do veto. A reaproximação entre Lula e Alcolumbre ficou clara em evento do governo na terça (14), no qual trocaram cochichos e o senador defendeu o diálogo e elogiou a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT).
Segundo parlamentares, Alcolumbre deixou de atuar contra a aprovação de Messias no Senado, ainda que não participe ativamente da articulação. A aproximação teria sido favorecida por alinhamento em investigações do Banco Master e INSS, que envolvem CPIs. Alcolumbre rejeitou a prorrogação de comissões e se aliou ao governo para barrar indiciamentos de ministros do STF na CPI do Crime Organizado, cujo relatório mirava Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
No caso da Câmara, a aproximação de Lula com o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) se consolidou desde a nomeação de Gustavo Feliciano, aliado de Motta, para o Ministério do Turismo, no fim de 2023. Motta apoiou propostas do governo, como a isenção do Imposto de Renda, e conteve CPIs e matérias anti-STF.
A aliança entre Lula e Motta envolve interesses eleitorais na Paraíba, onde o PT apoiará a chapa para o Senado composta por aliados de Motta, além de outros dois postulantes, João Azevedo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB).






