Da redação
Após agendas em Barcelona e Hannover, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve nesta terça-feira (21) em Lisboa, onde se reuniu com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro. Um dos principais temas do encontro foi a situação dos cerca de 500 mil brasileiros que vivem oficialmente em Portugal, especialmente após a aprovação de uma Lei dos Estrangeiros pela Assembleia da República, que restringe direitos de imigrantes.
Lula recebeu uma carta assinada por Ana Paula Costa e Cyntia de Paula, presidente e vice-presidente da Casa do Brasil de Lisboa, relatando “profunda preocupação com o agravamento do clima de intolerância e discriminação” enfrentado pela comunidade brasileira. O documento, entregue ao embaixador Raimundo Carreiro, cita 449 casos de discriminação e ódio registrados pela polícia portuguesa em 2025 e solicita atuação firme do governo brasileiro contra racismo e xenofobia.
Em reunião presencial, Costa relatou a Lula dificuldades dos brasileiros para agendar atendimentos com as autoridades de imigração, agravando situações de vulnerabilidade. Ao lado de Lula, Montenegro afirmou que “os brasileiros que têm vindo a Portugal trabalhar… têm tido uma integração econômica e social absolutamente impecável”, mencionando ter deferido 235 mil autorizações de residência e indeferido 5.000. Lula elogiou a comunidade brasileira: “Se tem um povo que gosta de trabalhar, é o brasileiro”.
O tema também foi tratado na Assembleia Legislativa brasileira, após denúncia da advogada Érica Acosta sobre obstáculos a autorizações de residência para integrantes da CPLP. O deputado Reginaldo Lopes (PT) protocolou ofício ao chanceler Mauro Vieira.
Durante a visita, manifestações de apoio e protesto marcaram a Praça do Palácio de Belém. Militantes do Chega, liderados por André Ventura, criticaram Lula e a imigração, enquanto petistas apoiaram o presidente, que embarcou de volta ao Brasil ainda nesta terça-feira.






