Da redação
Eventos de calor extremo estão ameaçando a saúde e os meios de subsistência de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. A constatação faz parte do relatório “Calor extremo e agricultura”, divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
O documento destaca o Brasil como um dos países mais impactados por ondas de calor intensas entre 2023 e 2024. Durante esse período, diversas regiões do país registraram temperaturas máximas diurnas superiores à média climatológica em até 5 °C, com múltiplos episódios de calor extremo, principalmente nas principais áreas produtoras do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
Segundo a FAO e a OMM, o calor afetou gravemente as safras de soja e milho, especialmente a soja, cuja produção final foi de 147,7 milhões de toneladas, queda de quase 10% em relação às expectativas iniciais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Outras culturas, como amendoim, batata, cana-de-açúcar e feijão, também sofreram com aumento de pragas e doenças.
O setor pecuário enfrentou intenso estresse térmico, sobretudo na criação de suínos e gado na região Centro-Oeste. Porcos ficaram sob estresse por 20 ou mais dias por mês, prejudicando a alimentação e o ganho de peso, enquanto vacas tiveram redução de produção de leite, com perdas econômicas consideradas irreversíveis.
No segmento aquícola, o aumento da temperatura da água causou alta mortalidade em truta-arco-íris e salmão-do-atlântico, especialmente em Campos do Jordão, onde foi registrado o maior índice em dez anos. O relatório também cita incêndios florestais que devastaram área equivalente à da Itália, poluíram o ar e, no Sul, as chuvas provocaram queda de 3,6% na produtividade do arroz, setor responsável por mais de 70% da produção nacional.






