Da redação
A Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela tem nova liderança. A socióloga peruana Sofía Macher Batanero foi nomeada presidente do grupo, em substituição à jurista portuguesa Marta Valiñas. A Missão foi criada em 2019 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar alegadas violações de direitos humanos ocorridas na Venezuela desde 2014, com mandato vigente até outubro deste ano.
Além de Sofía Macher, compõem a missão o advogado e ativista canadense Alex Neve e a jurista María Eloísa Quintero, que possui atuação na Argentina e no México. Ambos foram nomeados em dezembro do ano passado.
Em março, a Missão apresentou atualização ao Conselho, em Genebra. Segundo os especialistas, o “aparato repressivo do Estado venezuelano” foi mantido “ao longo de muitos anos” e teria persistido mesmo após a saída de Nicolás Maduro da presidência, em 3 de janeiro.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU informou que, desde a destituição de Maduro, foram relatadas pelo menos 87 detenções. Para os especialistas, essas prisões podem indicar a continuidade da repressão à dissidência política no país. Antes da mudança de poder, entre setembro e dezembro, a Missão documentou 135 prisões arbitrárias e um padrão de tortura e maus-tratos a detidos.
Sofía Macher Batanero tem doutorado em sociologia e mais de 30 anos de atuação em justiça de transição, reparações e questões de gênero. No Peru, presidiu o Conselho de Reparações e integrou a Comissão da Verdade e Reconciliação.






