Da redação
Portugal reafirmou, durante o Fórum do Conselho Econômico e Social da ONU em Nova Iorque neste mês, seu compromisso em diversificar parcerias para financiar o desenvolvimento, estratégia alinhada ao Compromisso de Sevilha, firmado na Espanha em 2023 para impulsionar a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável diante de um déficit anual global de US$ 4 trilhões.
A embaixadora portuguesa e presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, Florbela Paraíba, defendeu um “Apelo à Ação sobre dados, evidências e visibilidade da cooperação triangular”. Ela destacou cooperações práticas com Brasil e Moçambique, como projetos nas culturas do café e em parques naturais na Gorongosa e Chimanimani, ressaltando o impacto positivo nas comunidades. “Em termos de sustentabilidade ambiental, educação, sensibilização, portanto, toda a comunidade é envolvida”, afirmou.
Paraíba mencionou ainda que Portugal mantém parcerias com países de língua portuguesa em quatro continentes e com nações como Costa Rica, México, Colômbia e Argentina, além de iniciativas como bolsas de estudo voltadas para pesquisas sobre oceanos. Ela ressaltou a “tradição de Portugal na defesa dos oceanos, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental e de regulação internacional, além da importância do digital principalmente para países menos desenvolvidos”.
A dificuldade de financiamento é agravada por tensões geopolíticas, crise climática e conflitos, refletindo na diminuição da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e investimento estrangeiro, segundo a ONU. O Relatório sobre Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável 2026, apresentado durante o evento, aponta que 3,4 bilhões de pessoas vivem em países que gastam mais com juros da dívida do que com saúde ou educação. Apesar do cenário, o relatório destaca crescimento econômico global superior às expectativas em 2023 e recorde de US$ 2,2 trilhões investidos em energia renovável em 2024, o dobro do aplicado em combustíveis fósseis.






