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Relatório da ONU aponta África Ocidental como principal centro do terrorismo mundial


Da redação

A África Ocidental tornou-se o novo epicentro da instabilidade global relacionada ao terrorismo, segundo relatório recente do Comitê de Combate ao Terrorismo do Conselho de Segurança da ONU. O documento, divulgado em 2025, aponta que dez países concentraram 90% das mortes por terrorismo no último ano, sendo quatro deles da região oeste africana.

O relatório, sob o título “Perspectivas da Sociedade Civil”, destaca uma degradação significativa da segurança na Bacia do Lago Chade e no Golfo da Guiné, áreas onde a violência ultrapassou os limites tradicionais do Sahel e começa a atingir países como Moçambique e Quênia. Segundo o documento, a projeção desses conflitos preocupa autoridades internacionais.

Na região, atuam grupos como o Estado Islâmico na África Ocidental, Boko Haram e Jama’a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin. Esses grupos expandem suas ações apoiados por fronteiras vulneráveis, governança instável e intensas queixas socioeconômicas das populações locais. As atividades criminosas incluem tráfico de drogas e armas, sequestros para resgate e mineração ilegal.

Este cenário favoreceu o crescimento da violência, com o Sahel respondendo por mais da metade das mortes globais por terrorismo em 2025, em grande contraste com os 1% registrados em 2007. O relatório alerta também para respostas militarizadas que, segundo a sociedade civil, geram novas violações, como prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais e estigmatização de minorias.

De acordo com o documento, leis antiterroristas têm sido utilizadas para silenciar dissidentes e criminalizar defensores de direitos humanos. A abordagem securitária excessiva, além de ser ineficaz, amplia o sentimento de injustiça e pode incentivar a radicalização nas comunidades afetadas pela violência.

O relatório recomenda uma mudança de paradigma, propondo estratégias que equilibrem segurança e proteção das liberdades civis, com participação ativa da sociedade civil, reformas judiciais, melhoria da coordenação fronteiriça e programas de reabilitação para ex-combatentes. O objetivo, segundo o documento, é conter a expansão do terrorismo e fortalecer a paz sustentável na região.