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Deir al-Balah realiza primeira eleição municipal na Faixa de Gaza em 20 anos


Da redação

Autoridades palestinas organizam neste sábado (25) eleições municipais em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, pela primeira vez em anos. O pleito, que envolve cerca de 70 mil eleitores da cidade, ocorre após duas décadas de bombardeios, deslocamentos e administração local sem consultas populares, segundo organizadores.

Deir al-Balah foi escolhida para a votação por ter escapado de invasões terrestres em larga escala do Exército israelense desde outubro de 2023, mesmo exibindo sinais de bombardeios. Segundo moradores como Abd al-Rahman al-Masri, 27, médico, “toda a minha geração esperou por essa oportunidade” de definir o futuro do município via urnas.

A Autoridade Palestina, responsável pelo processo eleitoral, governa a Cisjordânia ocupada e perdeu o controle da Faixa de Gaza para o Hamas em 2007. Desde então, o Hamas designa prefeitos no território. Apesar disso, Hazem Qassem, porta-voz do grupo, afirmou: “O Hamas já decidiu entregar todas as responsabilidades e poderes aos vencedores logo após a divulgação dos resultados”.

A votação ocorre em cenário de infraestrutura colapsada, com abastecimento de água e energia comprometidos, enquanto Israel mantém restrições à entrada de mercadorias, justificando a medida como necessária para impedir o uso de materiais em produção armamentista. A Autoridade Palestina aguardava autorização de Israel para envio das urnas até quinta-feira (23).

Quatro listas concorrem na eleição, entre elas Renascimento de Deir al-Balah, associada ao Fatah, partido da Autoridade Palestina, e Futuro de Deir al-Balah. Os candidatos priorizam temas como saneamento, geração de emprego e controle de preços, apesar das limitações orçamentárias. “Não existem soluções mágicas”, afirmou Nader Obaid, engenheiro local.

Osama al-Louh, engenheiro civil, espera que o pleito traga maior transparência na distribuição de água. Já analistas palestinos avaliam que, sem recursos, o novo conselho terá pouco alcance sobre problemas estruturais. Se a experiência for bem-sucedida, outras cidades podem receber eleições similares no futuro, informou Fareed Taamallah, porta-voz da comissão eleitoral.