Da redação
Perfis criados por inteligência artificial para simular mulheres com deficiência têm atraído seguidores nas redes sociais e oferecido conteúdos adultos de forma fraudulenta nos últimos meses no Brasil. Esses perfis atuam principalmente no Instagram, utilizando imagens e vídeos digitais realistas para engajar usuários e obter vantagens financeiras de forma enganosa.
Nas simulações, jovens aparecem relatando solidão ou desejo de se casar, enquanto exibem características diversas como amputação, uso de cadeira de rodas, vitiligo, nanismo ou até gêmeas siamesas. Frases como “Será que eu nunca vou me casar só porque eu sou PcD?” ilustram o padrão dos vídeos, que buscam comover o público, especialmente homens.
Nos comentários, predominam elogios e abordagens de teor sexual. Exemplos incluem: “Boa tarde, meu amor. Você acabou de encontrar um homem que vai te amar”, “Oi, loira gostosa” e “Você é linda, ganhou mais um seguidor”. Paralelamente, os perfis divulgam links para grupos pagos, nos quais prometem acesso a conteúdos adultos. Em alguns casos, segundo relatos, trata-se apenas de fraude.
Um usuário anônimo relatou ter sido enganado ao realizar um pagamento via pix, recebendo um link de grupo falso, expirado. Ele alertou outros internautas: “Cuidado, não é verdadeiro, infelizmente eu cai, mas espero ajudar alguém”. Segundo especialistas, o fenômeno está vinculado ao devotismo, fetiche por pessoas com deficiência, e pode intensificar estigmas e marginalização.
A psicóloga e sexóloga Priscilla Souza, que é mulher com deficiência, avalia que esses conteúdos “criam uma imagem do bizarro, do fetiche” e prejudicam a autoestima e inclusão dessas pessoas. Rosana Lago, presidente da Frente Nacional das Mulheres com Deficiência, afirma que tais práticas “fere a dignidade” e estimulam visões distorcidas, reduzindo mulheres reais a objetos de desejo ou pena.
No Brasil, há aproximadamente 8,3 milhões de mulheres com deficiência, segundo o IBGE, protegidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência. Advogados explicam que criar perfis com IA não é crime, mas a fraude ocorre quando há engano e vantagem indevida. A identificação dos responsáveis é difícil, pois os perfis são rapidamente removidos, mas orienta-se que vítimas busquem estorno e guardem provas.






