Início Mundo Cubanos recorrem a mercado paralelo devido à falta de medicamentos em hospitais

Cubanos recorrem a mercado paralelo devido à falta de medicamentos em hospitais


Da redação

Em Havana, Cuba, a população tem recorrido ao mercado paralelo para adquirir medicamentos diante da escassez em hospitais e farmácias estatais. Lojas clandestinas aumentaram nos últimos anos, principalmente após 2016, vendendo remédios e insumos sem garantia ou exigência de receita, segundo relatos de moradores.

A maioria dos cubanos passou a depender desses pontos de venda como principal, e em muitos casos, única forma de acesso a tratamentos de saúde. Eduardo Moré, de 57 anos, aposentado com HIV, insuficiência renal e hipertensão, recebe do governo apenas os medicamentos contra o HIV e mantém a hemodiálise regularmente, mas precisa comprar captopril e furosemida no mercado paralelo.

Esses medicamentos custam cerca de 500 pesos cada — equivalentes a dois terços de sua pensão mensal de 1.500 pesos, aproximadamente R$ 15 na cotação informal. Moré afirma: “Tenho que escolher entre comprar os medicamentos ou me alimentar. Os dois não dá”. Ele também relata interrupções no fornecimento de água e eletricidade que podem durar até 20 horas diárias.

O motorista Rudy Gonzales, de 38 anos, procurou atendimento emergencial após um ferimento, mas a falta de insumos obrigou-o a comprar materiais básicos por conta própria. “Antes, eu ia ao hospital e tudo era gratuito. Agora, temos que pagar por tudo”, relatou sobre a situação.

O cardiologista do Hospital Clínico Cirúrgico Hermanos Ameijeiras explica que profissionais de saúde estão usando recursos pessoais para tratar pacientes, repassando custos quando necessário. “É uma privatização forçada do sistema de saúde cubano. Quem tem dinheiro sobrevive; quem não tem, só resta rezar”, afirmou em anonimato.

Dados oficiais indicam que o salário mínimo em Cuba é de 2.100 pesos, equivalentes a cerca de US$ 4, diante da forte desvalorização cambial. Segundo o ministro da Saúde, José Ángel Portal Miranda, as sanções dos EUA podem comprometer os tratamentos de cerca de 5 milhões de cubanos com doenças crônicas.