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Silêncio de liderança no Senado amplia incerteza para indicado ao STF às vésperas de sabatina

Por Alex Blau Blau

Candidato à vaga na Suprema Corte chega à etapa decisiva sem diálogo com figura central do Congresso e aposta em articulação própria para garantir votos

Às portas da sabatina que pode definir seu futuro no Supremo Tribunal Federal, o atual chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, enfrenta um cenário político marcado por incertezas e ausência de interlocução com uma das principais lideranças do Senado. Mesmo após meses de articulação, o indicado ainda não conseguiu estabelecer contato com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, cuja posição permanece indefinida e envolta em silêncio.

A sessão na Comissão de Constituição e Justiça está prevista para ocorrer na manhã desta quarta-feira, em um momento considerado decisivo para o avanço da indicação. Nos bastidores, a falta de sinalização por parte de Alcolumbre é vista como um fator de tensão, especialmente diante do histórico de preferência do senador por outro nome para a vaga aberta com a saída antecipada de Luís Roberto Barroso.

Nos últimos meses, Messias intensificou sua agenda política e buscou apoio direto entre parlamentares. Ele visitou a ampla maioria dos senadores, incluindo integrantes da oposição, numa tentativa de consolidar sua base. Ainda assim, a ausência de diálogo com o presidente do Senado chama atenção, principalmente por se tratar de uma figura influente no andamento e no clima político da sabatina.

Interferências indiretas também contribuíram para o distanciamento. A participação do indicado em um evento promovido por um adversário político de Alcolumbre no Amapá foi interpretada como um gesto que agravou o desgaste entre os dois. Apesar disso, aliados do candidato afirmam que o apoio já contabilizado pode ser suficiente para garantir a aprovação, ainda que por margem apertada.

Para avançar no processo, Messias precisa obter maioria simples na comissão. Caso supere essa etapa, a indicação segue para votação no plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos favoráveis. Estimativas internas indicam que o candidato já teria ultrapassado esse número mínimo, mas o cenário ainda inspira cautela entre seus apoiadores.

O caminho até a sabatina foi mais longo do que o esperado. A indicação ocorreu ainda em novembro do ano passado, mas o envio formal ao Senado só foi realizado meses depois, refletindo preocupações dentro do governo quanto à viabilidade política do nome escolhido. Ao todo, o processo levou mais de quatro meses até chegar à fase atual.

Enquanto isso, o presidente da República intensificou as articulações nos bastidores e deve se reunir com lideranças estratégicas do Senado para reforçar o apoio ao indicado. A movimentação busca reduzir resistências e evitar surpresas durante a votação.

Nos bastidores, o clima é de expectativa moderada. Embora haja confiança na aprovação, interlocutores próximos reconhecem que o resultado pode repetir votações recentes, decididas por diferença estreita.

Natural de Recife, Jorge Messias tem 46 anos e construiu carreira no serviço público federal, com passagem relevante por cargos jurídicos em governos anteriores. Sua indicação é vista por analistas como um gesto político com múltiplos significados, incluindo tentativas de diálogo com setores religiosos e fortalecimento de alianças no Congresso.

A sabatina desta semana será, portanto, mais do que uma formalidade institucional: trata-se de um teste político que expõe as complexas relações entre Executivo e Legislativo em um momento de equilíbrio delicado no cenário nacional.