Da redação
André Soares, voluntário de 47 anos, atua no acolhimento a pessoas em situação de rua em Brasília. Ele relata que a vulnerabilidade desse grupo aumentou após a pandemia de covid-19, especialmente devido à diminuição da compaixão e da atenção recebidas. As ações ocorrem mensalmente, dependentes de doações e voluntários.
O Instituto de Pesquisa do Distrito Federal apontou crescimento de 19,4% na população em situação de rua entre 2022 e 2025. Esse aumento é atribuído ao desemprego, dependência química e rupturas familiares. O poder público enfrenta dificuldades para atender à demanda, enquanto grupos voluntários buscam suprir emergências.
A operação do grupo liderado por André ocorre no segundo sábado de cada mês, sem apoio institucional, distribuindo marmitas em regiões como o Plano Piloto, Setor Comercial Sul, áreas próximas à Universidade de Brasília e Torre de TV. Segundo ele, “depois desse período, o número de voluntários caiu bastante, o que dificulta manter a frequência”.
Durante as ações, o voluntário observa que em áreas centrais predominam homens de 30 a 50 anos, enquanto na região da universidade há mais famílias vindas do Entorno, como Valparaíso de Goiás e Águas Lindas de Goiás, buscando renda temporária no Plano Piloto.
O Setor Bancário concentra homens que romperam vínculos familiares, muitas vezes em situação de dependência de álcool e drogas. Na Torre de TV, destaca-se a presença de imigrantes que vieram ao Brasil em busca de melhores condições, mas ficaram vulneráveis. Os relatos mostram diferentes trajetórias para a rua.
Situações como a de uma ex-enfermeira que perdeu tudo por dependência química e de um adolescente encontrado em área de tráfico são exemplos registrados nas ações. Apesar dos desafios, André afirma: “Não conseguimos mudar tudo, mas conseguimos ajudar um pouco.”






