Da redação
O Senado rejeitou, na noite desta quarta-feira (27), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foram registrados 42 votos contrários e 34 favoráveis — eram necessários 41 votos para aprovação. Segundo ministros do STF, o resultado reflete insatisfação dos senadores com a corte e falhas na articulação do governo.
Nos bastidores, ministros avaliam que a derrota de Messias sinaliza possível abertura para processos de impeachment de magistrados, sobretudo se candidatos de direita forem eleitos neste ano. Ao menos três ministros atuaram diretamente junto a senadores para tentar viabilizar a aprovação, mas não houve êxito. A expectativa, até então, era de votação apertada.
A avaliação dentro do STF foi de surpresa diante do número de votos contrários. Quatro magistrados ouvidos afirmaram que o esperado era uma vitória por margem pequena. Ao fim, faltaram sete votos para Jorge Messias conquistar uma cadeira no Supremo — algo visto como derrota para o governo Lula.
Após a votação, o ministro André Mendonça se manifestou nas redes sociais. “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo”, disse. Para Mendonça, Messias “preenche os requisitos constitucionais para ser ministro do STF”.
O presidente do STF, Edson Fachin, declarou respeitar a prerrogativa constitucional do Senado e afirmou que “a vida republicana se fortalece quando divergências são tratadas com elevação, urbanidade e responsabilidade pública”. Entre ministros, circulou que Lula teria atuado pouco e deixado Messias à própria sorte, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalhou pelo resultado contrário.
O ambiente institucional já apresentava tensão recente, principalmente após pedido da PGR para investigar o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade. No relatório da CPI do Crime Organizado, Vieira sugeriu o indiciamento de três ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, por supostas ligações com o Banco Master, o que os magistrados negam.






