Início Mundo ONU denuncia aumento de execuções e prisões no Irã durante conflito regional

ONU denuncia aumento de execuções e prisões no Irã durante conflito regional


Da redação

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou nesta segunda-feira, 3 de março, em Genebra, que os direitos da população iraniana estão sendo “corroídos de maneiras duras e brutais”. Segundo ele, há aumento nas execuções, prisões em massa e denúncias de abusos no contexto do conflito no Oriente Médio.

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas, pelo menos 21 pessoas foram executadas e mais de 4 mil foram presas sob acusações ligadas à segurança nacional desde o fim de fevereiro no Irã. Entre os executados estão pessoas associadas a protestos, supostos membros de grupos de oposição e cidadãos acusados de espionagem.

Volker Türk demonstrou preocupação com a continuidade das violações de direitos em meio ao agravamento do conflito na região. Conforme destacou, “além dos impactos já severos do conflito, os direitos do povo iraniano continuam sendo violados”. Segundo ele, a proteção de direitos fundamentais deve ser garantida inclusive em situações de guerra.

O alto comissário solicitou formalmente ao governo do Irã que suspenda todas as execuções, estabeleça uma moratória ao uso da pena de morte, assegure plenamente o devido processo legal a todos e liberte as pessoas detidas de maneira arbitrária. “As ameaças aos direitos humanos aumentam exponencialmente em tempos de guerra”, declarou Türk.

O representante da ONU alertou também para relatos de tortura, confissões forçadas e negação de representação legal, indicando que a repressão atinge inclusive crianças. Detidos estariam enfrentando superlotação, falta de suprimentos essenciais e restrições a cuidados médicos. Há informações de que a ativista Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel, encontra-se em situação precária na prisão.

Na mesma região, a crise humanitária afeta o Líbano. Segundo análise do IPC, a escalada do conflito deve elevar para 1,24 milhão o número de pessoas em insegurança alimentar aguda entre abril e agosto de 2026 — aproximadamente um quarto da população, comparado a 874 mil pessoas no período anterior.