Início Brasil Feminicídios em SP crescem 41% no trimestre e atingem recorde histórico

Feminicídios em SP crescem 41% no trimestre e atingem recorde histórico


Da redação

O estado de São Paulo registrou entre janeiro e março de 2026 o maior número de feminicídios para um primeiro trimestre desde 2018, com 86 casos. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (30) pela Secretaria da Segurança Pública, indicam alta de 41% na comparação com o mesmo período de 2025, que registrou 61 ocorrências.

Entre os anos anteriores, o trimestre de 2024 chegou mais próximo, com 75 feminicídios. O aumento na identificação do crime segue uma tendência de elevação nos registros, embora os números dos demais crimes, como homicídios, roubos e furtos, tenham apresentado queda em 2026 no estado de São Paulo, segundo estatísticas oficiais.

Um dos casos que marcaram o período foi o da soldado Gisele Alves Santana, 32 anos, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro no Brás, região central da capital. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser classificado como feminicídio pela polícia e Ministério Público após depoimentos e perícia. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, seu marido, responde ao processo e está preso preventivamente, negando a acusação.

A delegada Monique Ferreira Lima, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, afirma que o crescimento dos registros reflete maior capacidade de identificação desses crimes. Segundo ela, casos anteriormente tratados como homicídio comum agora recebem a correta tipificação de feminicídio, estabelecida pela lei de 2015. O estado também ampliou canais de denúncia e a rede de proteção, mas a delegada ressalta a necessidade de mudanças culturais para enfrentar o problema.

A Polícia Militar adotou o enfrentamento à violência doméstica como prioridade. A coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher no comando da corporação, anunciou a criação das patrulhas lilases para atendimento a vítimas, além da implementação de cabines exclusivas e ampliação do atendimento por videochamadas a partir de maio.

Outros delitos contra mulheres mantêm números elevados. Foram registrados 3.852 casos de estupro no primeiro trimestre de 2026, número próximo ao de 2025. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 13% das vítimas de feminicídio possuíam medida protetiva ativa. Por outro lado, crimes patrimoniais e homicídios apresentaram queda no mesmo período no estado.