Da redação
O uso de inteligência artificial já está impactando profundamente as campanhas eleitorais brasileiras de 2024. Ferramentas de IA permitem desde o envio de mensagens altamente segmentadas até a produção acelerada de vídeos e publicações, reduzindo prazos de dias para horas, mesmo sob as restrições da resolução do TSE.
Equipes ligadas a pré-candidatos como Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad relatam adoção de softwares que monitoram reações nas redes, criam “eleitores sintéticos” para testar discursos e utilizam IA para customizar conteúdos. Uma campanha majoritária, por exemplo, conta com 54 pessoas dedicadas à nanosegmentação.
De acordo com marqueteiros, a IA é usada para treinar modelos que aprendem a linguagem do candidato, permitindo versões de discursos mais irônicos, sérios ou agressivos. Bruno Bernardes, da PLTK, afirma: “A IA vem revolucionando cada processo das campanhas, da criação de conteúdo à segmentação de mensagens e mobilização de apoiadores”.
No entanto, o uso de deepfakes eleitorais é proibido desde 2024, conforme determinação do TSE, e preocupa especialistas. Bernardes cita a última eleição presidencial da Argentina, em que vídeos falsos viralizaram. Para o advogado Helio Silveira, a propagação de conteúdo manipulado por contas falsas deve ser um dos principais desafios deste pleito.
Campanhas também utilizam IA para agilizar a produção de peças. O marqueteiro Paulo Vasconcelos, responsável pelo material de Ronaldo Caiado, exemplifica que um vídeo que antes levaria quatro dias para ser produzido ficou pronto em poucas horas, com locução e imagens totalmente geradas por IA. Porém, todas ressaltam a necessidade da interação humana direta com o eleitor.
No cenário das pesquisas qualitativas, chatbots substituem grupos presenciais, e perfis como o “eleitor sintético” são criados para testar mensagens. A legalidade de adaptar vídeos e áudios personalizados com IA ainda é discutida por advogados, já que a resolução do TSE vedou o uso desse recurso de forma a prejudicar ou favorecer candidaturas.






