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Denúncia de racismo em escola pública mobiliza autoridades no Distrito Federal

Por Alex Blau Blau

Relato de estudante sobre conduta de professor desencadeia investigação policial e procedimentos administrativos na rede de ensino

Um episódio ocorrido dentro de sala de aula em uma escola pública do Distrito Federal provocou a abertura de investigação policial e mobilizou a Secretaria de Educação. A denúncia envolve uma estudante de 16 anos que afirma ter sido alvo de comentários de cunho racista feitos por um professor durante atividades escolares.

O caso foi registrado no fim de abril na 6ª Delegacia de Polícia e também comunicado à Secretaria de Educação. Segundo o relato da família, a adolescente teria sido tratada de forma ofensiva durante uma avaliação em sala, com declarações que incluiriam termos pejorativos e referências à sua origem social.

De acordo com a mãe da jovem, a situação começou quando o professor avaliava os cadernos dos alunos. Enquanto teria adotado postura compreensiva com outra estudante, a adolescente afirma ter sido chamada de “preguiçosa” e ouvido que não teria perspectivas no futuro. Ainda segundo o relato, o docente teria utilizado a expressão “favelada” ao se referir à aluna e feito comparações relacionadas à própria condição financeira.

No dia seguinte, a estudante afirma que o ambiente se tornou ainda mais hostil. Ela relata ter sido retirada da sala após o professor dizer que não desejava sua presença. Diante do ocorrido, a jovem procurou a direção da escola, formalizou a queixa e comunicou o episódio aos pais, que decidiram registrar boletim de ocorrência.

Em resposta, a direção da unidade escolar informou que tomou conhecimento do caso por meio de relatos de alunos e da formalização da denúncia. A equipe gestora afirma ter acolhido a estudante e seus responsáveis, dando início aos procedimentos previstos para situações dessa natureza.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal declarou que o professor foi ouvido e apresentou sua versão. Segundo ele, não houve intenção discriminatória, alegando que suas falas teriam sido direcionadas a incentivar o comprometimento com os estudos como forma de superar dificuldades sociais.

O caso foi oficialmente registrado e encaminhado para análise das instâncias responsáveis, incluindo a Corregedoria, que deverá conduzir a apuração e avaliar possíveis responsabilidades administrativas. O docente encontra-se afastado das atividades por questões de saúde.

Paralelamente, a mesma unidade de ensino voltou a ser mencionada em outro episódio que circula nas redes sociais. Uma estudante relata ter sofrido assédio por um professor durante o trajeto até a escola em 2024. Segundo a denúncia, a direção teria sido procurada na época, mas não teria adotado medidas efetivas.

As investigações seguem em andamento, tanto na esfera policial quanto administrativa, enquanto a comunidade escolar acompanha o desenrolar do caso e aguarda esclarecimentos sobre as medidas que serão tomadas.