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Ciro Nogueira nega vínculo com Vorcaro após ser chamado de “grande amigo” em mensagens investigadas pela PF

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Por Alex Blau Blau

Conversas interceptadas, registros de voos e menções a emendas parlamentares ampliam pressão sobre o senador na Operação Compliance Zero

O senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e alvo de nova fase da Operação Compliance Zero, negou qualquer relação de proximidade indevida com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação da Polícia Federal, no entanto, reúne mensagens e registros que indicam uma relação mais próxima entre os dois do que a admitida publicamente pelo parlamentar.

De acordo com dados obtidos no curso das apurações, Vorcaro se referia ao senador como um “grande amigo” em conversas privadas e demonstrava intenção de apresentá-lo a pessoas de seu círculo pessoal. Em uma das mensagens citadas pelos investigadores, o banqueiro descreve o político como “um dos meus grandes amigos de vida”.

As trocas de mensagens analisadas pela Polícia Federal também mostram que Vorcaro mantinha comunicação frequente sobre o senador com pessoas próximas, reforçando a percepção de convivência regular entre ambos. Em manifestações anteriores, a assessoria de Ciro Nogueira afirmou que interações com diferentes pessoas não configuram necessariamente proximidade pessoal, negando qualquer irregularidade.

O banqueiro Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março, no contexto de outra fase da mesma operação, que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e instituições do sistema financeiro.

Em novos elementos reunidos pela investigação, mensagens atribuídas a Vorcaro mencionam com entusiasmo uma proposta legislativa apresentada pelo senador no Congresso Nacional. O banqueiro teria classificado a iniciativa como algo de grande impacto no mercado financeiro, afirmando que a medida poderia beneficiar bancos de médio porte.

A proposta em questão tratava da ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, que passaria de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante. Segundo os investigadores, o texto teria potencial de alterar significativamente o funcionamento do setor bancário, embora não tenha sido incorporado ao texto final aprovado pelo Congresso.

Outro ponto analisado pela Polícia Federal envolve registros de deslocamentos aéreos. Documentos indicam que Ciro Nogueira e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teriam utilizado o mesmo helicóptero ligado a empresas associadas a Vorcaro em deslocamentos registrados em novembro de 2024.

Os registros apontam que diferentes grupos de passageiros utilizaram a aeronave em sequência no mesmo dia, incluindo o próprio banqueiro e o senador. A operação envolveu deslocamentos entre São Paulo e o Aeroporto de Congonhas em intervalos curtos de tempo.

A aeronave citada nos documentos pertence a uma empresa de táxi aéreo ligada ao grupo empresarial investigado e teria sido adquirida por valor multimilionário.

A nova fase da Operação Compliance Zero aprofunda a investigação sobre possíveis relações entre agentes políticos, empresários do setor financeiro e eventuais vantagens indevidas em troca de influência legislativa e econômica. Até o momento, Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e afirma que mantém diálogo com diversas pessoas em razão de sua atuação pública, sem vínculo de natureza indevida com investigados no caso.