Da redação
A Polícia Federal prendeu a empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, sogra do vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, em Goiânia na quinta-feira (7). Ela é investigada por coordenação de um esquema internacional de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos, identificado por operações desde 2022, segundo informações oficiais.
De acordo com a investigação, Maria Helena integrava um dos cinco núcleos apontados por promover travessias clandestinas pela América Central. O grupo oferecia um “pacote completo”, englobando compra de passagens aéreas, articulação com coiotes, logística e orientação jurídica para migrantes detidos durante o percurso.
Os investigadores estimam que cada brasileiro pagava cerca de US$ 20 mil pela travessia. Entre 2018 e 2023, ao menos 477 pessoas foram levadas ilegalmente para os Estados Unidos, número que pode ser maior. O núcleo atribuído a Maria Helena teria organizado a migração clandestina de 155 pessoas.
As apurações revelam que o esquema atuava de maneira estruturada há mais de 20 anos, com ramificações no Brasil e no exterior. Integrantes eram responsáveis por receber migrantes, intermediar pagamentos e organizar rotas por países como México e Panamá. Aproximadamente R$ 240 milhões foram movimentados, sendo R$ 45 milhões relacionados ao núcleo ligado à empresária.
Áudios incorporados ao inquérito mostram Maria Helena relatando experiência em liberar brasileiros detidos nos Estados Unidos. Em uma das gravações, ela afirma: “Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro.” A Polícia Federal ainda identificou transferências bancárias associadas ao pagamento das viagens pelas vítimas, segundo as investigações.
Os investigados poderão responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que podem superar 20 anos de prisão. A defesa de Maria Helena afirmou que considerou sua prisão “surpreendente” e “desnecessária”. Daniel Vilela declarou que o caso não tem relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.







