Da redação
No Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), mães de crianças desaparecidas no Brasil relatam a esperança de obter mais visibilidade e ações concretas em suas buscas. Em 2025, o país registrou 84.760 casos de desaparecimento, evidenciando a dimensão do problema enfrentado por milhares de famílias em todo o território nacional.
Clarice Cardoso, de 27 anos, da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), procura por seus filhos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que desapareceram em 4 de janeiro. Eles brincavam na mata com um primo, Anderson, de 8, que foi encontrado posteriormente. A investigação policial apura relatos de possível contato das crianças com um homem na mata e informa que todas as informações são examinadas. Clarice destaca a ansiedade por notícias e relatos de preconceito nas idas à delegacia, localizada a 12 quilômetros de sua casa. Sua mãe sofreu um acidente de moto durante uma das viagens em busca de respostas.
Ivanise Espiridião, de 63 anos, de São Paulo, fundou o grupo Mães da Sé após o desaparecimento de sua filha Fabiana, de 13 anos, em dezembro de 1995. Prestes a passar pelo 30º Dia das Mães sem a filha, mantém o alento convivendo com sua outra filha, Fagna, de 43 anos, e a neta Eva, de 7. O grupo, que reúne mais de seis mil mães, faz uso do aplicativo Family Faces, que utiliza reconhecimento facial para localizar desaparecidos. Ivanise orienta que, segundo a Lei nº 11.259, não é necessário esperar 24 horas para registrar boletim de ocorrência de desaparecimento de crianças ou adolescentes.
Lucineide Damasceno, de 60 anos, também de São Paulo e integrante do Mães da Sé, vive o drama do desaparecimento do filho Felipe, de 16 anos, desde 2008. Após uma crise de pânico em 2013, ela fundou a ONG Abrace para fornecer alimentação e apoio a outras famílias. Lucineide evita festas no Dia das Mães, mantém a esperança guardando presentes para Felipe, e alerta seus netos sobre perigos. Ela relata que os encontros do grupo oferecem conforto e servem como força para o ativismo.
A psicóloga Melânia Barbosa, pesquisadora do tema, aponta que a dor dessas mães tem ligações com transtornos como depressão e ansiedade e defende maior suporte emocional público e capacitação de profissionais para atender famílias de desaparecidos. Segundo ela, grupos de apoio ajudam a mostrar que as mães não enfrentam essa situação sozinhas, promovendo solidariedade e escuta.
Dados apontam que aproximadamente 42% dos desaparecidos no Brasil são encontrados. Apesar desse índice, famílias seguem mobilizadas em busca de respostas, reivindicando políticas públicas e ferramentas mais eficazes para solucionar casos. O drama dos desaparecimentos permanece como uma das grandes questões sociais do país, mobilizando redes de suporte e articulação.







